Adélia Prado
quando nasci um anjo esbelto, desses que tocam trombeta, anunciou: vai carregar bandeira. cargo muito pesado pra mulher, esta espécie ainda envergonhada. aceito os subterfúgios que me cabem, sem precisar mentir. não sou feia que não possa casar, acho o rio de janeiro uma beleza e ora sim, ora não, creio em parto sem dor. mas o que sinto escrevo. cumpro a sina. inauguro linhagens, fundo reinos dor não é amargura. minha tristeza não tem pedigree, já a minha vontade de alegria, sua raiz vai ao meu mil avô. vai ser coxo na vida é maldição pra homem. mulher é desdobrável. eu sou.
Escrito por Cristiane Lisboa às 19h54
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- Foi a Angélica. - Do "vou de táxi?" - Não. - A do banco imobiliário. - Que coisa. E porque? - Não sei. - Você deve saber. - Juro que não. - Doeu? - Na hora bastante. Aos poucos fui ficando amortecida. - Amortecido é ruim. - Mas é melhor que dor. - Isto é. - Ela não deu justificativa? - Angélica? Alguma. Atravessou a rua atirando. Três pegaram certinho. - E você? - Como assim e eu? - O que você fez? - O que faz uma pessoa que toma três tiras a queima roupa? Arregalei o olho, né? E cai. - Quando você caiu ela voltou? - Não. Seguiu caminhando, como se nada tivesse acontecido. Fiquei com vontade de conversar, perguntar porque, estas coisas. Mas não ia adiantar nada. - Você já estava agonizando? - Sim. - Mas mantive uma lucidez mórbida. Sabia de tudo, percebia o sangue escorrendo, a vida acabando. - Você é muito lúcida. - Todo mundo sempre me chamou de louca, como tu pode dizer que sou lúcida? - Quase todos que chegam aqui, gritam muito quando me encontram. Você disse oi. - Tu me disseste oi primeiro. - Disse, mas você poderia ter gritado. - Achei melhor não. - Viu só? Lucidez. - Que seja. - Minhas irmãs estão contentes com o tom da sua pele. - Porque? - Quando é clarinha assim, é doce. - Isto eu não sabia. - Pois é. - Vamos começar pela cabeça, tá? O buraco ali é maior e já está podre. - Tudo bem. - Depois a gente vai para o resto do corpo. - Posso ficar de olhos fechados? - Podemos comer seu olho logo depois da cabeça, se você quiser. - Seria uma boa. - Será uma honra devorar seu cadáver. - Que bom. Dona Lesma? - Sim? - Vai doer? - Nada demais. Você já deve ter sentido dores piores. - Provável. - Vou chamar as meninas. - Foi um prazer. - Pra mim também. Até nunca mais.
Escrito por Cristiane Lisboa às 10h55
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Naquela tarde e veja, não era frio, não chovia, não havia sequer um relâmpago se aproximando ou coisa assim, posso até jurar que passarinhos cantavam com aquela felicidade histérica que lhes é peculiar, pois naquela tarde que era só uma tarde relativamente morna para quente, perdi. A cor dos lábios, uma certeza que ocupava imenso espaço interno, litros de orgulho, minha gargalhada número três e um certo brilho no olho. Coisas absolutamente irrecuperáveis como vês. Posso conseguir parecidas ou novas, quem sabe inéditas. Mas aquelas, aquelas se foram para sempre como se vão todas as coisas que morrem. E hoje, quando deito na rede azul e fecho os olhos, desvio daquela tarde para poder entrar nos pensamentos. E já nem estranho. Sei que quando entro, tenho aquela tarde quase quente, morna, para desviar. As vezes, me demoro mais olhando, as vezes menos, as vezes sequer percebo com lucidez e mal entro estou no pensamento/sonho/pesadelo/preocupação/imagem/letra/música adiante. Em noites como esta, a tarde me persegue. Se houvesse um tribunal divino esta tarde certamente seria condenada a morrer em um daqueles paredões onde militares em começo de carreira atiravam em pobres coitados. Morreria a tarde e fantasma, seria mais fácil. Mesa branca, dois pedidos, siga a luz tarde morna, quente? e me deixe em paz. Mas não há tribunal. Não há julgamentos ou condenação para tardes infames que sem dó algum fazem com que as pessoas percam suas preciosidades. Mas a culpa nem é da tarde, dirão alguns. E não discordo de todo. Acontece, que entre as possibilidades de culpa, a tarde é a menos improvável. Problema dela.
Escrito por Cristiane Lisboa às 01h23
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Antes tarde do que nunca:
"Ai, xangô, xangô menino, das fogueiras de São João. Tome conta do destino Xangô. Da fogueira e da razão. Céu de estrelas sem destinos, de beleza sem razão. Noites tão frias de Junho Xangô. Ai São João, Xangô menino. Viva São João."
Maria Bethania no Cd Brasileirinho.
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Já tomaste quentão hoje?
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As vezes, quando a cortina se abre, dá vontade de correr. Não corra.
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Da caixa de lápis de cor só uso o verde. Porque minha esperança é uma maragato teimosa. E só vai morrer de morte matada. Uma arma, por favor.
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Hoje a noite na Livraria da Vila entre 18 e 22 horas, Andrea del Fuego, la mujer, lança " A Sociedade da Caveira de Cristal" Engrosse a fila de autógrafos, meu bem. E entenda porque é do fogo.
Escrito por Cristiane Lisboa às 10h23
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Omara Portuondo e Maria Bethânia cantam, cantam, cantam, gosto sobretudo quando Omara diz: brincos de princesa. Os gatos dormem, é inverno, eu escrevo, é o que sei. Mais isto e um pouco mais daquilo e seria a vida que pedi a Deus. Veja só como sou facinha. A despeito do que pensam de mim. Pausa para risos. E duas lagrimazinhas. Para não perder o hábito.
Escrito por Cristiane Lisboa às 11h47
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" O amor precisa do cimento e das telhas de uma casa, sólidas paredes e telhado protetor. Mas, das janelas abertas para o mundo, uma vai estar sempre escancarada para um pátio íntimo e florido onde a sua lembrança me inunda de perfume. Hoje de manhã, no banho, cantei pra você: "These foolish things remind me of you." Como você pode não ter ouvido, ai do outro lado mar, eu ponho agora no papel. E te agradeço, com carinho."
Canteiros de Saturno, Ana Maria Machado (Ed. Nova Fronteira). Desde muito o livro que faz todo sentido nas minhas escolhas e caminhos. Que coisa, não?
Escrito por Cristiane Lisboa às 11h04
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Todíssimas as coisas dão absolutamente errado. Umcoisassimimpressionante. Valha-nos Deus, Nossa Senhora e bate na madeira, tira o chapéu para passar debaixo da aroeira. Quando a coisa fica assim, insana, o Demo mostra o rabo e o condado se mostra hostil e cruel sempre encontro o amigo na rua. Sem combinar. E ele abraça forte e compra revistas, conhaque, elogia o sapato e diz no meio da conversa "O amor sempre lhe será grato. Confia, branquinha, confia. Quem ama uma hora ou outra começa a ser amado". E achamos que isto daria uma música, mas deve ser de alguém, não deve? e desistimos e faz frio e andamos mais rápido e da boca sai fumacinha e de maquiagem errada desco a rua Augusta sem tropeçar. Amanhece em São Paulo e passo a crer que jamais vou voltar a dormir.
Escrito por Cristiane Lisboa às 15h18
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i-ching me salva desde que aprendi a ler
Nove em cima: A estagnação acabou. No começo, estagnação. No fim, grandes alegrias. O tempo de decadência não se converte por si mesmo em paz e florescimento, mas exige esforço para ser eliminado. A atitude criadora do homem é necessária para restaurar a ordem do mundo. Um dia a estagnação tinha que ser superada. Como poderia durar para sempre?
Escrito por Cristiane Lisboa às 16h05
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Pausa para nosso comercial
Papel Manteiga para embrulhar segredos, o livro com título mais lindo que se tem notícia (e modéstia a puta que pariu) acaba de ganhar segunda edição com dois mil exemplares.
Sylvia não sabe dançar está no balcão de entrada da livraria Cultura do Conjunto Nacional, do lado de Noll e Jorge Amado. Uau.
A primeira publicação da Simples está na gráfica neste exato momento.
Tim,tim. E amém nóis tudim.
Escrito por Cristiane Lisboa às 20h23
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Falo em espanhol durante a noite. Isto alguém me disse porque, como deves imaginar, não me ouço. Porque estou dormindo e quando durmo só ouço as teclas da máquina de escrever e o barulho das gavetas abrindo e fechando no peito. O dia vira uma cinza só, ouço "sumida" de todos com quem falo, será? As decisões tem pesos, medidas, as novidades calam porque precisavam de uma comemoração específica que nem sequer existe mais. O que existe ainda, aliás? Escrevo no corredor e deito no chão, mas sob almofadas. Trabalho sem parar, sem olhar para os lados, pensando em borboletas e chá de erva cidreira e bolo de fubá com erva doce esmigalhada. Lembro das manhãs e quase choro, pra que tanta consciência? Toca Mutantes, sopro lantejoulas pela janela, deixo o telefone tocar sem resposta e abro o livro. Aquele. Tsc,tsc.
Escrito por Cristiane Lisboa às 19h12
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Já é amanhã e o amigo e eu falamos pelos cotovelos através dos dedos nas teclas, plec,plec, acredito na opção randômica e começa a tocar o que? Cazuza. Porque as madrugadas não tem pena de ninguém e certos anjos da guarda gostam de mostrar serviço. "Ela não pulou, viu só?" Falamos nós e quando dói ele conta sapatos, ainda tem botas, vai sobreviver. Com uma obsessão que beira Toc, a doença do Rei e da Luciana Vendramini arrumo a estante, corto o dedo indicador, vou até o supermercado 24 horas comprar pregos, pipoca de microondas e um tapawer novo, tampa azul, veda bem, posso guardar ali meu fígado. As coisas fazem sentido mas não tem graça alguma, é sábado e ouvimos música e falamos sem que som algum saia da nossa boca. Então era pra isto tanta aula na faculdade, tanto livro, tanto papo, tantas droguinhas, tanto regime? Hilda Hist, a gata se aninha no meu colo e dá mini suspiros que compreendo bem o que significam. O amigo pensa em como avisar: eu também sinto, sabia? A amiga está na Bahia, talvez volte qualquer dia. E nós estamos vivendo, estamos tentando. Que Oxum nos proteja do auto-engano. Que as noites de inverno sejam mais generosas. Que YSL olhe aqui pra baixo e jogue umas peças de roupa. Que ao menos um terço dos nosso planos mais delirantes aconteçam. E que o coração pare dentro do peito. Ao menos esta noite.
“O coração dele fala comigo enquanto dorme, que é quando ele está desarmado.” Ademir Corrêa.
Escrito por Cristiane Lisboa às 00h47
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O amor acaba
O amor acaba. Numa esquina, por exemplo, num domingo de lua nova, depois de teatro e silêncio; acaba em cafés engordurados, diferentes dos parques de ouro onde começou a pulsar; de repente, ao meio do cigarro que ele atira de raiva contra um automóvel ou que ela esmaga no cinzeiro repleto, polvilhando de cinzas o escarlate das unhas; na acidez da aurora tropical, depois duma noite votada à alegria póstuma, que não veio; e acaba o amor no desenlace das mãos no cinema, como tentáculos saciados, e elas se movimentam no escuro como dois polvos de solidão; como se as mãos soubessem antes que o amor tinha acabado; na insônia dos braços luminosos do relógio; e acaba o amor nas sorveterias diante do colorido iceberg, entre frisos de alumínio e espelhos monótonos; e no olhar do cavaleiro errante que passou pela pensão; às vezes acaba o amor nos braços torturados de Jesus, filho crucificado de todas as mulheres; mecanicamente, no elevador, como se lhe faltasse energia; no andar diferente da irmã dentro de casa o amor pode acabar; na epifania da pretensão ridícula dos bigodes; nas ligas, nas cintas, nos brincos e nas silabadas femininas; quando a alma se habitua às províncias empoeiradas da Ásia, onde o amor pode ser outra coisa, o amor pode acabar; na compulsão da simplicidade simplesmente; no sábado, depois de três goles mornos de gim à beira da piscina; no filho tantas vezes semeado, às vezes vingado por alguns dias, mas que não floresceu, abrindo parágrafos de ódio inexplicável entre o pólen e o gineceu de duas flores; em apartamentos refrigerados, atapetados, aturdidos de delicadezas, onde há mais encanto que desejo; e o amor acaba na poeira que vertem os crepúsculos, caindo imperceptível no beijo de ir e vir; em salas esmaltadas com sangue, suor e desespero; nos roteiros do tédio para o tédio, na barca, no trem, no ônibus, ida e volta de nada para nada; em cavernas de sala e quarto conjugados o amor se eriça e acaba; no inferno o amor não começa; na usura o amor se dissolve; em Brasília o amor pode virar pó; no Rio, frivolidade; em Belo Horizonte, remorso; em São Paulo, dinheiro; uma carta que chegou depois, o amor acaba; uma carta que chegou antes, e o amor acaba; na descontrolada fantasia da libido; às vezes acaba na mesma música que começou, com o mesmo drinque, diante dos mesmos cisnes; e muitas vezes acaba em ouro e diamante, dispersado entre astros; e acaba nas encruzilhadas de Paris, Londres, Nova Iorque; no coração que se dilata e quebra, e o médico sentencia imprestável para o amor; e acaba no longo périplo, tocando em todos os portos, até se desfazer em mares gelados; e acaba depois que se viu a bruma que veste o mundo; na janela que se abre, na janela que se fecha; às vezes não acaba e é simplesmente esquecido como um espelho de bolsa, que continua reverberando sem razão até que alguém, humilde, o carregue consigo; às vezes o amor acaba como se fora melhor nunca ter existido; mas pode acabar com doçura e esperança; uma palavra, muda ou articulada, e acaba o amor; na verdade; o álcool; de manhã, de tarde, de noite; na floração excessiva da primavera; no abuso do verão; na dissonância do outono; no conforto do inverno; em todos os lugares o amor acaba; a qualquer hora o amor acaba; por qualquer motivo o amor acaba; para recomeçar em todos os lugares e a qualquer minuto o amor acaba.
Paulo Mendes Campos
Escrito por Cristiane Lisboa às 13h39
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TocaRaulTocaRaul
"Eu nunca cometo pequenos erros / enquanto eu posso causar terremotos. "
Escrito por Cristiane Lisboa às 11h03
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e as coisas vão, acontecem, não há literatura que suporte tanto querer e este excesso de sentimento não combina com estas facas que escondo nas botas de altos saltos e penso no vô João Bigode, que será que ele diria? não te apicha, não te enterra, te serve uma costela, negrinha, a vida é aquilo ali em frente mas o i-ching avisa é preciso estar forte, o rio, vai ser preciso atravessar o rio, de novo, já conheço este rio é azul limpíssimo, como aquele par de olhos quentes e frios mas tem a superfície densa e esconde pedras pontudas em toda a sua extensão e ai entrar no rio é saber que o corpo vai ganhar novos mínimos cortes, do tipo que não sangra, mas arde, como cortar o dedo indicador com uma folha de papel A4. neste negros tempos aprendi que não se pode mesmo dar murro em ponta de faca ou seja, se tenho que entrar, entro, sem drama, sem alardes, sem vômitos, sem remédios para dormir portanto, peço para que meu anjo da guarda - anjos não podem entrar no rio e de mais a mais eles tem asas, pra que nadaria quem tem asas? - que leve as roupas e os sapatos para o outro lado e ele leva, mesmo sabendo que ao chegar lá não servirei mais em nenhuma daquelas peças. entro nua no rio limpíssimo azul e sinto o primeiro corte. dói menos desta vez, quase sorrio, caminho lentamente, respiro fundo, coloco a cabeca dentro d'agua, abro os olhos e decido ir mergulhando. porque os cortes são produzidos por pedras de cores que não existem. e se for pra machucar que ao menos seja bonito. não?
Escrito por Cristiane Lisboa às 12h07
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sexta e é noite e é fresco, quase inverno, as luzes, as cores, as chamas, tudo aceso e passeio a pé no Obairro e entro aqui, percebo casais de velhinhos, tiro fotos, olho, apago, tiro de novo, comento sozinha, penso "cerveja? não. vodca. pura. no balcão." o Theatro Municipal é a coisa mais linda do mundo, principalmente quando as chamas, as cores as luzes estão acesas e é quase inverno, é fresco, é noite e é sexta. o barulho do sapato nas ruas de calçadas largas não é toc, toc é tloc, tloc. mando mensagens. não em garrafas. pena. temo as estátuas e finalmente lembro de cabeça todo poema aquele, que sempre me aparece quando é noite, quando é sexta e fresco e as cores, as luzes e as chamas estão acesas.
(...) Em cofre não se guarda coisa alguma. Em cofre perde-se a coisa à vista. Guardar uma coisa é olhá-la, fitá-la, mirá-la por admirá-la, isto é, iluminá-la e ser por ela iluminado. Guardar uma coisa é vigiá-la, isto é, fazer vigília por ela, isto é, velar por ela, isto é, estar acordado por ela, isto é, estar por ela ou ser por ela. Por isso melhor se guarda o vôo de um pássaro do que um pássaro sem vôos. Por isso se escreve, por isso se diz, por isso se publica (...)
e então nada passa. com sinceridade penso e digo "tudo bem. que seja,"
Escrito por Cristiane Lisboa às 20h09
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