cristianelisboa


Uma espécie de sexta-feira, montanhas baixinhas, paredes de madeira, fogo no meio da sala, ar, um gato chamado Juízo, uma história que precisa ficar pronta, dois vestidos, nenhum sapato, maiô vermelho para água gelada e arroz doce com canela que não como, mas faço. Como disse o sertanejo e escreveu Guimarães "felicidade se acha, em horinhas de descuido."



Escrito por Cristiane Lisboa às 11h51
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Escrito por Cristiane Lisboa às 11h24
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 Cada sonho teu me abraça ao acordar. Manhã cedo e ela que há bem pouco fechou os olhos implorando um pouco de sono, desiste, enche a banheira com água morna, joga ali um sal de banho com cheiro de figo, tira com cuidado a calcinha, a camiseta velha, entra, não chora, pouco faz, o que importa é que a água está na temperatura certa, o cheiro é bom, o dia tem uma luz brilhosa antes de acordar, existe uma mini dignidade a ser seguida, a casa tem flores, vai dar para usar o vestido cinza, cabeça no meio das pernas, auto-abraço e veja só, um sorriso entra na porta e 



Escrito por Cristiane Lisboa às 18h01
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...e ontem, quando foi feita a mesma pergunta de sempre, pela primeira vez Ana respondeu - sem pensar, sem mentir, sem olhar para baixo - com plena convicção: não sei. Porque não sabia. E sequer tinha raiva de quem por acaso pudesse saber. Não saber foi uma decisão sóbria da qual internamente se orgulha pois foi escolhida para acontecer não no meio de uma grande e recém aberta nova cratera emocional mas em um dia azul, se não me engano em uma terça ou quarta o que tira inclusive o duvidoso mérito de ter sido uma decisão de segunda-feira, destas que caem por terra aos primeiros raios de uma terça. Vou fazer. E fez. Assim. Sem um pingo de dúvida. Com uma certa dor, isto lá é verdade, quem seria capaz de soletrar adeus sem lágrima nenhuma dor? Mas certa. Finalmente digna do próprio orgulho, bom senso, sangue uruguaio. Séculos depois do que aconselharam as poucas pessoas que sabiam da verdade. Um pouco antes de ser natural. Muito longe de ser uma vontade genuína, um descaso, uma falta de querer. Mas a tempo, bem a tempo de salvar da banalidade absoluta o que outrora, em tempos que hoje sequer parecem ter acontecido, chamou, vá lá, grande amor. Hoje, que há pouco deixou de ser ontem Ana lembrou de novamente não saber. Abriu um livro velho e no acaso deixou cair no pés uma - meu Deus veja que obviedade - foto datada. "Sempre que já nem me lembro, lembras pra mim." Cantarolou como se rezasse. Sem decidir se falava com o divino ou com quem já não a escuta. Guardou a foto, o livro e voltou a andar. Passou agora pouco por aqui. Não disse. 



Escrito por Cristiane Lisboa às 14h55
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Cinquenta e cinco passos rumo ao infinito, colares de flores no pescoço, dança aqui comigo, olhos borrados e bebidas cor de flúor. Cultivo esperanças e estrelas cadentes, guardo-as dentro de uma banheira velha e durmo sobre elas nos dias de todo frio. Por longos minutos quase volto atrás. Chuveiro frio. E só por hoje consigo. 



Escrito por Cristiane Lisboa às 11h04
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