cristianelisboa


 Existe apenas o que dizemos que sim. Esta decisão usada o tempo todo em filmes infantis em uma vã tentativa de manter a capacidade de crer em si mesmo durante uma posterior vida adulta é verdade absoluta. Por mais tolo que pareça. O que tu não acredita, uma hora deixa de existir, some, vira triângulo das bermudas d’alma e não mais. Explicou isto ao hoje velho pai ao ser novamente questionada sobre o mesmo assunto e dar a mesmíssima resposta de ontem, anteontem e a semana passada. Ele acha que ela está sendo covarde. Que vai perder o que se tem de mais precioso na vida. Que não lutou o suficiente. Que vai lembrar disso quando entrar na igrejinha usando flor de laranjeira. Que alguém precisa fazer alguma coisa rápido para que o tempo não pingue limão nas dores e as faça cicatrizes eternas. Nas dores a gente pinga mel, ele repete. Ela responde a mesma coisa. Completa lembrando que a pequenina disse sem motivos aparentes que ela está certa. Ele fica puto. Ela respira muito fundo. E volta a fazer o que estava fazendo. Que aliás, era o que?



Escrito por Cristiane Lisboa às 16h38
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Páginas arrancadas em cadernos sem espiral são vestígios de assassinato digo enquanto conto da  descoberta que um amigo tem olhos infinitamente mais bonitos do que parecia e que a casa está com cheiro da dama da noite comprada na esquina e que os mini tigres de salão tem comido girassóis de manhã cedo. O novo livro é composto por três histórias e nenhuma verdade mas como convencer as pessoas a perderem o medo? A sombra é sempre muito maior do que a coisa em si, já disse eu mesma em uma outra vida, as decisões, os cansaços, o rímel que borra com vontade ao menos sinal de lágrima porque olha, melhorei tanto mas ainda sei chorar o que, segundo papai, me mantêm viva e na vertical. Orgulho dos arranhões, das marcas, da estria no seio esquerdo e dos retratos que me deste. Lembro quando alguém percebia que eu estava divagando em público e delicadamente pegava na minha mão e mexia devagar na ponta da unha. Lembro de gargalhar como se estivesse nua e de girar 360 graus na cama bamba. Penso um pouco e constato que também ainda rio. Um tanto menos, embora isto seja imperceptível a estranhos e estranhos são quase todos. Em frente sem pensar, aceito peixe cru com gosto de manteiga derretida e deixo um espaço vazio. Para que a última palavra seja tua. 



Escrito por Cristiane Lisboa às 18h04
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