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2009 choveu pontudo. rasgou a roupa, a pele e viu-se o que era embaixo. foi, foi, foi. 2010 será dulce de leche. porque na dor as asas tatuadas nas minhas pernas aprenderam a voar. vamos nós por ai. pra começar: http://cristianelisboa.wordpress.com/ e que sea, lo que, sea
Escrito por Cristiane Lisboa às 12h42
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Toda vez que sente uma pontada de desesperança, dorme e sonha com o tempo da delicadeza. Ri muito nos sonhos, conta as novidades, mostra as plantas novas do jardim suspenso, avisa que os gatos aprenderam a abrir as portas, despeja com generosidade mel nas feridas velhas. Acorda com aquela velha e hoje bem conhecida dor. Filha da puta.
Escrito por Cristiane Lisboa às 10h49
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Litros e litros de chuva, que seja, 2009, este ano em que fiz 28 e foi doido, estranho, cheio de canivete, mel, flor, verdades dolorosas e ainda não acabou, né? Que até dia 31 sea, lo que sea.
Escrito por Cristiane Lisboa às 10h32
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Estado atual

Escrito por Cristiane Lisboa às 18h30
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Faz a tua parte

Escrito por Cristiane Lisboa às 15h37
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Escrito por Cristiane Lisboa às 16h55
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Potes de mel entregues aos que por acaso moram onde antes existia el core. Ligações noturnas, internacionais e a cobrar seguida de frases com rima e leituras em voz alta dos poemas velhos do Neruda. Aqueles, de antes dele achar que seria imortal ou qualquer coisa que valha. Chove, pinga água do teto, os assuntos se esgotam e nada mais importa. Porque tirando literatura, literatice, frases feitas e grandes pensadores o problema mesmo é que o anel que tu me deste era vidro e se quebrou.
Escrito por Cristiane Lisboa às 17h43
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e o tempo, este senhor de saturno pisa enfurecido em cima dos meus antigos sonhos de açúcar. lembro do muito que perdi, do pouco que ganhei, de que sou outra por ser a mesma, amém e, depois de de cinquenta páginas e de um doloroso "preciso sim, de ajuda, obrigada" dito em voz alta, fecho os olhos pra acordar do pesadelo. bom dia, anjo.
Escrito por Cristiane Lisboa às 19h26
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chá de hortelã, litros de chá de hortelã enquanto repito o mantra "não coma a parede" porque tu sabe, mulher uma hora come a parede, quebra a garrafa de bebida na pia do banheiro, chora na escada. antes isto, que um câncer mirim, diria mamãe. penso em borboletas amarelas a nas tardes em que a chuva desenhava palavras nas janelas sujas. um passinho, outro passinho, ando muito econômica nas grandiosidades, pouco atenta a respiração e observando de perto o que restou do último vendaval. rezo. e definitivamente não sou atendida. se tu não tem nada de bom para me oferecer, nem venha. por favor. também não me ensina mais a morrer, porque eu não quero.
Escrito por Cristiane Lisboa às 17h45
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mostra, pipoca, palavras grandes como futuro, mundo, patagônia, estrelas cadentes. volto daqui a pouco. e tu?
Escrito por Cristiane Lisboa às 11h08
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“ então abraças meu sorriso branco que quando encontra tua pele com gosto de sal fixa mesmo quando os lábios aprendem novos movimentos e mudam ora por mordidas pequeninas ora por querer mais um pouco e faz tremer a carne não por desejo que isso é óbvio mas porque o sangue tem graus de ebulição desconhecidos por quem não está naquele momento amando o que provoca mais choro do que riso mas agora no outro lábio aquele que quando diz é sempre sim e que te recebe com gozo meu bem desde que tenhas percorrido as curvas todas com a língua e os cílios e aquele pouco de barba por fazer e o pulso anda fraco as batidas confusas e agora é acreditar no que está ali e o que está ali é isto dois na cama barulhos de encanamentos abafados por um bolero é tão moderno para uma colcha de matelassê eles não combinam assim como o vestido não combinava com unhas vermelhas cigana chama o esmalte rimos nós riem os ciganos riem as estrelas riem os garçons que trabalham depois das quatro da manhã avisando a cozinha não funciona e óleo de massagem é comprado sem culpa na farmácia de plantão para que a colcha fique manchada para sempre o abraço escorregadio com e acabou o que aconteceu ontem antes há mais de dois dias atrás há quanto tempo estamos aqui quem precisa saber e tulipas artificiais que cumprem bem seu papel de provocar suspiros meus contornos macios tem sardas nas ancas veja bem conte quantas são e não me diga podemos começar tudo de novo não sei não sabes não sabemos agora é mostrar que prefiro mãos alargando as minhas costas que aliás recebem bem gotas que escorrem do gelo e ui quente é vela quase bom é bem deste jeito não entendo porque razão ou circunstância tu me quer se não te quero repeti pisquei o olho não me contive amanhece respiro fundo e digo não tenho mais coragem de começar isso tu responde que com medo é sempre melhor e...”
Escrito por Cristiane Lisboa às 12h44
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Henry Você é uma pessoa corajosa. Tem coragem de despedaçar os outros e ainda seguir existindo, como se a vida fosse permitida a gente deste porte. Saiba por mim, não é. Fiz daquele jeito que combinamos, saí com as pessoas que me interessavam, permiti que mãos estranhas pousassem sobre meu ventre, recebi no cu línguas de texturas desconhecidas e até beijei. Beijei bocas com gosto de abismo, de absinto, de destilados barato, de água de rosas, de ópio e até com gosto de nada. E agora pergunto: e dai? Foi quase divertido, admito. Mas, depois, o que restava era apenas, eu Mona, a sua Mona. Rezei – sim, rezei – para um deus, um superior, um bruxo, alguém que pudesse me explicar como pode um amor ser mesquinho. E fraco. Nosso amor é fraco Henry. Não vai suportar mais nada depois disso, acredite, admita. Daqui iremos sucumbir a frustrações óbvias e vais me deixar pela literatura, pelos contos de uma página a um dólar a porra da página, ou por uma mulher que finge escrever. Vais esquecer que somos nós dois em uma guerra, agora e para sempre, amém. Ou não. O que você fará, Henry, amor meu? Vai dizer que me ama? Vai me querer e somente isso, nada mais? Sejamos francos, os cafés desta cidade tola e iluminada vão te dar de presente uma nova musa. Gargalho ao pensar nisso. Nenhuma delas vai saber que dentro de você existe um cerne de afeto só alcançado a quem te abre o peito. Nenhuma delas vai ter meu cheiro, Henry, ah, meu cheiro que faz você gozar pleno ao senti-lo de longe, na imaginação. Nenhuma delas, vai conseguir ser a sua mulher inventada a ponto de ser real. Eu te amo, seu desgraçado. E, enquanto você não entende que isso também pode acabar, vou insistir. Mona
Escrito por Cristiane Lisboa às 13h57
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Paris, uma quarta feira qualquer de inverno. Mona, Deste quarto no alto posso observar os telhados da cidade luz. São todos mudos, qualidade que aprecio. E ostentam com dignidade as manchas provocadas pelo tempo, as pisadas tortas de amores fugidos e os restos de vinhos atirados ao ar para os deuses. Mal sabem as pessoas e os telhados que há muito os deuses estão mortos. Abri sua última carta. Cheirava a medo. Estranhei. Quem era você ao escolher o papel, escrever tudo aquilo e enviar sem ao menos se dar ao trabalho de uma revisão final? Ciúme e insegurança não doenças permitidas a você, ou pensas que é só uma mulher? Mona, há muito falamos sobre a capacidade humana do gozo, castrada por uma mesquinharia chamada casamento, sociedade, a puta que nos pariu. Porque haveríamos nós dois nos submetermos a isso? Diga-me, darling. Tente defender este seu ponto de vista tolo e verás que foi apenas uma fraqueza. E como amo as suas fraquezas. Amo porque fazem com que sejamos mais próximos, pois sou feito basicamente delas. E porque você as guarda na parte de trás do pescoço, ali onde a pele é imaculada de sol, vento e noites sem dormir. Ali onde o cheiro é sempre agridoce e os pêlos tem uma textura fina como fios de seda. Ali onde minha língua não repousa porque vai e volta, cansando apenas quando você implora por outra coisa. Isso, toque na parte de trás do seu pescoço com estes dedos longos com unhas delicadamente descascadas. Brinque que estou ai, Mona. Saiba que eu estou ai. Quando queres, meus olhos olham através dos teus. Mas só porque você permite. Por isso, não é preciso me expulsar ou escrever tolices em papel lilás. Muito menos dizer “sua Mona”. Você não é minha, nunca será. Mas eu sou seu. E para que eu morra, basta que você pare de acreditar que eu só existo. Feliz, feliz dia dos namorados, Henry
Escrito por Cristiane Lisboa às 14h01
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cuando miro fundo en tu ojo claro creio em Deus novamente. e no poder calmante da água com açúcar. o vento sopra fortíssimo e faz voar os pedaços de espelho que eu encarava como sendo a face na qual se confia. quebrado ele, sobra a verdade. e é nos cabelos dela que me agarro com força. quem sabe apenas o que se dá ao trabalho de saber espera que eu faça como sempre: lágrimas, explicações, soluços, cartas, letras digitais. não havia reparado que há tempos escolhi o silêncio, os banhos de banheira e discretos suspiros. que aprendi a confiar nas horas e no sol morno das manhãs de primavera. e que lembrei que minha música favorita sempre foi "todo cambia".
Escrito por Cristiane Lisboa às 12h54
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Desejo e tudo mais. A moça abre as cartas e descubro que o caminho é este. Irremediavelmente. Que o homem com nome de vô não vale o que come, que vou viajar, que dinheiro, só o suficiente - penso em que suficiente seria este mas não digo nada, morro de medo de cartomante - que a saúde vai estar boa, que as línguas seguirão destilando as próprias verdades, que amigos contarei nos dedos mas que estes vão ladrilhar meu caminho com pedrinhas, com pedrinhas de brilhantes, que os vestidos de noite serão usados com o amor, amor este que chegará muy seguro de quem é o que quer, como vai ser. Chorei, como de costume, acreditei em tudo e voltei a plantar maçãs. Amanhã, vai ser outro dia.
Escrito por Cristiane Lisboa às 20h45
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