cristianelisboa


Que seja doce, repito duas vezes antes de mergulhar novamente nas cobertas com a certeza do sonho. Pequenas epifanias, copos de guaraná e filmes em preto e branco, nada me afasta do que foi. Ao menos descobri como separar a dor do resto todo, resto este que inclui aquele amor que não sai com água, chuva, beijo, esponja, ódio, tatuagem, certeza. E, por saber que não sai, não morre, não diminui, aceito, silenciosa. A resignação não me parece mais tão vergonhosa, as vezes as coisas são e isto. Mas minhas espada está na cintura, só por garantia. 



Escrito por Cristiane Lisboa às 10h01
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Os dias que ficaram ali atrás escondem armas brancas, montanha russa e um buquê de flores cujo nome jamais saberei. Te deixei no meio da quadra antes de entrar em Nova Babilônia, aquele lugar espelhado com vista para a Augusta. Fotografei o que era muito e escrevi coisas invisíveis por dias e dias. Amanheci olhos de ressaca, pintei os lábios rachados do frio e andei até cansar. E enquanto todos reclamavam do frio fui lá e coloquei a cama na varanda. Tu vens?



Escrito por Cristiane Lisboa às 19h40
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e então foi isto. cinquenta e duas vezes falamos do eclipse que parece que vai mudar as coisas, fazer saltar as coragens, desencantar o adormecido, jogar para longe a areia branca que está nos olhos e não sai nem com reza e descer as estrelas para dentro do peito. existe sempre uma esperança de que o divino olhe cá embaixo e perceba que é preciso um sopro, um nada para que tudo caiba novamente onde sempre esteve embora seja uma coisa muito clara o fato de que foi preciso quebrar os ovos para nascer e que sim, foi bom. tantas verdades dentro da banheira quente. as coisas já passadas. o que está por vir. de certo? os sonhos não envelhecem. 



Escrito por Cristiane Lisboa às 16h53
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Vontade de fazer uma placa escrito "cuidado, frágil" e colocar na camiseta para mostrar aos menos cuidadosos que sinto. Muito. educação calculada e risadas verdadeiras. Um abraço desconhecido, perguntas que não tinham respostas e uma pequena febre. A chuva foi bonita e, para orgulho do meu pai, sorri, pensei em tudo que foi bom, muito bom, coisa que aos poucos apaga o que não foi porque ninguém sobrevive de machucados. Mel nos machucados, não limão. Para que não morra a parte mais preciosa do que em mim desconheço. 



Escrito por Cristiane Lisboa às 11h36
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 Existe apenas o que dizemos que sim. Esta decisão usada o tempo todo em filmes infantis em uma vã tentativa de manter a capacidade de crer em si mesmo durante uma posterior vida adulta é verdade absoluta. Por mais tolo que pareça. O que tu não acredita, uma hora deixa de existir, some, vira triângulo das bermudas d’alma e não mais. Explicou isto ao hoje velho pai ao ser novamente questionada sobre o mesmo assunto e dar a mesmíssima resposta de ontem, anteontem e a semana passada. Ele acha que ela está sendo covarde. Que vai perder o que se tem de mais precioso na vida. Que não lutou o suficiente. Que vai lembrar disso quando entrar na igrejinha usando flor de laranjeira. Que alguém precisa fazer alguma coisa rápido para que o tempo não pingue limão nas dores e as faça cicatrizes eternas. Nas dores a gente pinga mel, ele repete. Ela responde a mesma coisa. Completa lembrando que a pequenina disse sem motivos aparentes que ela está certa. Ele fica puto. Ela respira muito fundo. E volta a fazer o que estava fazendo. Que aliás, era o que?



Escrito por Cristiane Lisboa às 16h38
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Páginas arrancadas em cadernos sem espiral são vestígios de assassinato digo enquanto conto da  descoberta que um amigo tem olhos infinitamente mais bonitos do que parecia e que a casa está com cheiro da dama da noite comprada na esquina e que os mini tigres de salão tem comido girassóis de manhã cedo. O novo livro é composto por três histórias e nenhuma verdade mas como convencer as pessoas a perderem o medo? A sombra é sempre muito maior do que a coisa em si, já disse eu mesma em uma outra vida, as decisões, os cansaços, o rímel que borra com vontade ao menos sinal de lágrima porque olha, melhorei tanto mas ainda sei chorar o que, segundo papai, me mantêm viva e na vertical. Orgulho dos arranhões, das marcas, da estria no seio esquerdo e dos retratos que me deste. Lembro quando alguém percebia que eu estava divagando em público e delicadamente pegava na minha mão e mexia devagar na ponta da unha. Lembro de gargalhar como se estivesse nua e de girar 360 graus na cama bamba. Penso um pouco e constato que também ainda rio. Um tanto menos, embora isto seja imperceptível a estranhos e estranhos são quase todos. Em frente sem pensar, aceito peixe cru com gosto de manteiga derretida e deixo um espaço vazio. Para que a última palavra seja tua. 



Escrito por Cristiane Lisboa às 18h04
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Atualizações do meio da vida

 

Mini humanos sempre me causaram imensos espantos. Com suas verdades, seus choros noturnos, seu andar estranho, meio pinguim no começo, direita, esquerda, direita, esquerda para em seguida ser uma corrida zonza. Depois dos felinos, um pouco menos de medo, confesso. Apesar do terror de segurá-los para injeções estranhas em salas de espera com bichos de três cabeças e potes com coisas encontradas dentro da barriga de cachorros, uma tartaruga entre tudo. Mas falava dos mini. Que seguram no teu rosto e cantam musiquinhas. Que usam capas de um super heroi inventado. Que não podem ouvir a palavra “dormir”. Que aprendem músicas dos beatles e dançam com os bracinhos para cima. Que pegam no teu rosto  com as duas mãos pequeninas e viram a tua cabeça para ver o que deve ser visto. Que perguntam porque vermelho chama vermelho e como é mesmo que o céu não cai na nossa cabeça? As estrelas são afiadas? As cores da caixa de lapis de cor existem onde? O bob esponja faz fogueira dentro do mar? Mini humanos não tem vergonha, não cansam, abraçam com força, beijam melado, mudam uma vida inteira e, há bem pouco tempo, desitiram de me amedrontar. 

 



Escrito por Cristiane Lisboa às 14h57
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Desenha pássaros para se recuperar da queda. A mão treme um pouco, o desenho exibe alguns riscos mal feitos mas são pássaros, afinal. Os únicos que poderiam desenhá-los com precisão são os que os prendem em gaiolas. E gaiolas não são uma opção. Quando fala é madrugada já tem aquele quase frio que o dia não consegue reproduzir. O que parecia ser a lua era uma luz redonda acesa que dava uma certa dignidade para a rua vazia. Um bêbado cantando, o telefone nos pés. Tudo com muito jeito de arroubo de parágrafo, a vida real em transe, os pássaros, as dores, o enfermeiro vestido de azul, o que seria não foi, os pássaros, o peito vazio que impede o sono. All you need is love, tchumtchumtchumtchumtchum, canta o bêbado. Ele concorda. Os pássaros não.



Escrito por Cristiane Lisboa às 11h34
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Existem palavras que quando ditas reconstroem imediatas pontes e, por debaixo delas, passa aquele mar sem nome que surgiu no exato instante em que tu fechaste a porta. As palavras pouco sabem, são sempre muito tolas e cheias de significados que mudam a cada interpretação pessoal. As pontes são pouco frágeis e dão trabalho ao serem quebradas com a ponta dos dedos. O mar não seca. Aumenta, diminui, mas não seca. Melhor desistir. Ou construir um barco. 



Escrito por Cristiane Lisboa às 16h56
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Quantos minutos vai demorar para que alguém arrombe esta porta e invada esta sala? Estou sem calcinhas, não posso sentar. Não que este fato tenha alguma remota ligação com o que acabo de fazer. Só preciso pensar em alguma outra coisa que não seja este homem debaixo da mesa, pressionando o ventre com as duas mãos já completamente encharcadas de sangue preto.

Até este momento eu não tinha idéia da facilidade que é levantar o braço, encolher o dedo indicador para dentro, de maneira que a pequena alavanca seja forçada e escutar o estampido de um tiro. Dois. Três. Depois da terceira sequencia de movimentos, o braço cansa e o dedo dói, mesmo com uma arma pequena, levinha, feminina, calibre vinte e dois.

Difícil mesmo é decidir. Mas acabo de saber, nisso, o ódio dá um jeito, calando a razão com uma coragem descabida, só possível a quem não possui mais o pudor de ser humano. Quando esta conjunção está pronta dentro do peito, o resto é simples. Rápido. Sete-oito. O passo de ballet em que antes mesmo da ponta do dedo encostar no chão, vinda do rodopio, já se está em outro. Pois quando a coragem se esvai como nuvem, você já matou alguém. Ou deixou muito claro que estava muito disposto a matar. Dependendo do caso, a primeira opção é sempre preferível. 

Trecho de Sylvia não sabe dançar. Aliás, já foste no site? www.sylvianaosabedancar.com.br 



Escrito por Cristiane Lisboa às 10h56
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Revista colors em capa branca com envelope para enviar, bilhetinho "express yourself", empadinha, as cinquenta e cinco horas em que o desfecho torna-se fatal, meia dúzia de jornais expostos pela sala, dia de feira tem peixe, purê, flor na mesa, na sala, em cima da cama nova que aquela, imensa, dos doze ensimesmados já era, loirice contestada por um pedido jeitoso, unhas tomate, massagem na hora do café e sabe que faz cinco anos que decidi esquecer de lembrar que te esqueci? 



Escrito por Cristiane Lisboa às 13h48
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Hum-hum, sereno não cai, se forma, andamos em círculos durante o tempo, nada faz sentido, tudo é querer, existem apenas duas chances de um raio cair na sua cabeça, inglês indiano, obviamente sentia-se só, ataque de minhocas californianas, cabelo novo, peito velho, esmalte "deixa beijar", Ana escreve a própria história para conseguir sobreviver ao que passou. Passou? 



Escrito por Cristiane Lisboa às 18h28
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Uma espécie de sexta-feira, montanhas baixinhas, paredes de madeira, fogo no meio da sala, ar, um gato chamado Juízo, uma história que precisa ficar pronta, dois vestidos, nenhum sapato, maiô vermelho para água gelada e arroz doce com canela que não como, mas faço. Como disse o sertanejo e escreveu Guimarães "felicidade se acha, em horinhas de descuido."



Escrito por Cristiane Lisboa às 11h51
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Escrito por Cristiane Lisboa às 11h24
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 Cada sonho teu me abraça ao acordar. Manhã cedo e ela que há bem pouco fechou os olhos implorando um pouco de sono, desiste, enche a banheira com água morna, joga ali um sal de banho com cheiro de figo, tira com cuidado a calcinha, a camiseta velha, entra, não chora, pouco faz, o que importa é que a água está na temperatura certa, o cheiro é bom, o dia tem uma luz brilhosa antes de acordar, existe uma mini dignidade a ser seguida, a casa tem flores, vai dar para usar o vestido cinza, cabeça no meio das pernas, auto-abraço e veja só, um sorriso entra na porta e 



Escrito por Cristiane Lisboa às 18h01
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