Agora, neste exato instante, quando ainda é 20 08 de 2008 penso que te pediria desculpas. Sinceras desculpas. E te contaria que antes de chegar aqui precisei pedir desculpas ao meu espelho e as madrugadas quentes. E que até que eles me perdoassem não tinha como pedir desculpas a mais ninguém. Mas desculpei. Desculparam e então estou aqui, te explicando com calma e sem choro. Como boa moça que sou. E os dicionários se amontoam na mesa e não dizem o significado de adeus.
Escrito por Cristiane Lisboa às 23h55
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Qualquer coisa dita deve ser vermelha. Isto é fato consumado e quente. O arrastar dos acontecimentos mostra que o desconhecido dá menos medo do que a inércia. Porque mesmo tu morre de medo de chegar perto? Não vem ao caso. Mudemos de assunto para então falar as mesmas coisas. Mal sabes que aprendi tanta coisa, que perdi aqueles desejos de loopings sequenciais (trema?), que compreendi o que é. No sonho te ouço "porque você não me surpreende?" Porque já tentei uma, duas, mil vezes e agora perdi a coragem. Quando te vejo o coração diz "vai", a cabeça grita "só se for por cima do meu cadáver" e as pernas amolecem, penso no cadáver de uma cabeça, acho engraçado, faço silêncio e não choro. Prefiro hidratação interna. Olhos azuis avisa "tenho medo do escuro" e o acalmo mentindo que é meu um pedaço de música: não brilharia estrela sem noite por detrás.
Escrito por Cristiane Lisboa às 16h12
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Qualquer coisa dita deve ser vermelha. Isto é fato consumado e quente. O arrastar dos acontecimentos mostra que o desconhecido dá menos medo do que a inércia. Porque mesmo tu morre de medo de chegar perto? Não vem ao caso. Mudemos de assunto para então falar as mesmas coisas. Mal sabes que aprendi tanta coisa, que perdi aqueles desejos de loopings sequenciais (trema?), que compreendi o que é. No sonho te ouço "porque você não me surpreende?" Porque já tentei uma, duas, mil vezes e agora perdi a coragem. Quando te vejo o coração diz "vai", a cabeça grita "só se for por cima do meu cadáver" e as pernas amolecem, preciso sentar e vejo que vais embora sem que eu tenha feito nada. Silêncio e nenhum choro. Prefiro hidratação interna. Olhos azuis avisa "tenho medo do escuro" e o acalmo mentindo que é minha um pedaço de música: não brilharia estrela sem noite por detrás.
Escrito por Cristiane Lisboa às 16h07
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Escritores são pessoas chata, estranhas, complexas e de poucos amigos. Convivo com poucos. Por opção. Alguns, apesar de representantes da raça, são meus amigos queridos e de quando em vez me dão um orgulho imenso disto. Como digo para do fogo " orgulho de ter teu telefone"
Três destes vão estar na Bienal, no Salão de Idéias Volkswagen, falando entre si e com os presentes. Andrea del Fuego, Santiago Nazarian e Indigo. Se eu fosse tu, não perdia por nada neste pierro mundo.
Nos vemos lá?
Escrito por Cristiane Lisboa às 18h05
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A grande cama agora tem altura suficiente para que alguém caia de cabeça e se machuque direito. As noites são preenchidas por escritos, muitos escritos, Nazarian mãe me olha e dá os conselhos de sempre e elogia os cachos, a boca, o tom, vamos no mexicanos e quiça, quiça, quiça, dancinhas difamatórias e coisas com feijão e queijo. A descoberta do lado subversivo do cinema brasileiro mistura- se com decisão por adesivo e nuvens. Prometo inventar o botão vermelho, parar de fazer reserva de mercado e não deixar que as dores tomem conta do peito todo. Vens aqui atrás de literatura. E o que não é?
Escrito por Cristiane Lisboa às 11h25
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Entrou aqui agora?
Corre, meu filho.
Marcelino Freire, um dos homens mais generosos do condado está no o B_arco (Rua Dr. Virgilio Carvalho Pinto, 426, Pinheiros) autografando seu novíssimo livro. Mar que arrebenta. Com este nome, sendo dele, naquele lugar, tu ainda está sentado olhando o computador?
Escrito por Cristiane Lisboa às 20h02
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As luzes de Natal piscam na grande janela e é agosto, mês do cachorro louco e nada sei além disto. Faz frio a calor, vou do fogo ao mar com desenvoltura, observo o mundo com curiosidade e olhos cheios de rímel azul. Os cadernos estão recheados de histórias, enredos, mentiras, declarações de amor e cartas jamais, jamais, jamais enviadas. Não acredito - ainda - no que as pessoas são capazes de fazer consigo, com os outros, com os cachorros pequenos. Velho amigo e eu falamos e ele pede "não chore" e traz luz, presentes, uma moça que desenha árvores nas paredes e certezas já esquecidas atrás da poeira que caiu quando as minhas torres gêmeas despencaram. A lua é cheia, o mundo é este e a cortina vai demorar muito para fechar.
Escrito por Cristiane Lisboa às 19h55
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Fraia e eu nos divertimos. As pessoas que estavam lá também. Choveu, fez frio, o céu escureceu e a cidade estava assombrada. Mesmo assim, os amigos mais interessantes deram as caras. Tinha paçoca amor, cartas não enviadas, Sylvia, Chibo, um estranho pianista e uma conversa que só acabou porque nos mandaram embora. A casa das rosas precisava fechar e a noite estava só começando. Fomos todos até o barco, onde um CTG armado por Paulo Scott estava prestes a iniciar os trabalhos. O chão escorregava como se tivesse água do mar e limo, conversas surreais (Eu sou tão chata! Isto é porque você está vestida. Não te engana. Pelada eu sou chata igual.) os queridos, o vinho, pequenas empadas, psssiu e no final, Ana C. que saudade Ana C e sua insanidades e no muro: se você me ama, porque você não se concentra? Porque? Irene?
Escrito por Cristiane Lisboa às 15h38
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"Meu pai tem cachinhos na cabeça e pensa todo colorido. "
Escrevi para o Dia dos Pais de 1988, na escola. Se eu precisasse escrever um cartão hoje, poderia escrever a mesma coisa.
Escrito por Cristiane Lisboa às 14h48
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Hoje, as 17 horas Emilio Fraia e eu estaremos na Casa das Rosas, falando bobagem, lendo literatura e tal e coisa. Te esperamos.
Escrito por Cristiane Lisboa às 09h44
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David levou seu amigo cantor esquisito. Bom saber que os grandes peixes também tem estranho humor. As perguntas causaram sérias crises de vergonha alheia e, se eu fosse ele, juro que teria ido com uma camiseta "não me entreguem dvs e nem chocolates." O fim do mundo é adiado, mal sabem os suiços que o mundo já acabou, haha, pobres pessoas loiras. Ensino equipe a voar na cadeira da redação, danço e canto na chuva, bebo uma garrafa inteira de gim com o velho, velho, velho amigo. Lavamos a alma juntos, mais riso do que choro, porque respeito muito minhas lágrimas, mas ainda mais minha risada. Dias salvos da mais completa mediocridade com serentas no celular. Que coisa mais linda, penso. Mas não saio por ai dizendo, ando tímida, sou tímida, se tu acha que não é porque não me conhece. Unhas vermelho desejo, hoje é oito, do oito, do oito, todos os infiniros juntos, faça seus pedidos, grite na janela mais próxima, o universo vai te escutar e dar exatamente o que tu pede. Pense antes. Aja rápido. E hasta la victoria. Siempre.
Escrito por Cristiane Lisboa às 10h08
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Como Amelie fotografo os formatos das nuvens antes da xícara de conhaque quente e dos bolinhos puta que pariu. O céu tem pedacinhos azuis, como rastros de esperança na humanidade e no poder calmante do copo de água com açúcar. Os livros se amontoam pela sala, gato gordo morde capas e come algumas páginas, a infância dentro de caixas, a tv eternamente desligada, o som do silêncio noturno no centro, as almofadas no chão. Abro portas sem parar, textos chegam, leio, corto, dou parabéns, penso em ficção, escrevo verdade, faço música e acho bonito. Quem sabe o que suporta qualquer como. Alguém disse isto e estava certo. E não brilharia estrela, ó bela, sem noite por detrás. Não? Hoje é quarta, é feira, tem peixe, flor e bergamtora. Portas abertas. Pode entrar.
Escrito por Cristiane Lisboa às 11h52
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Como Amelie fotografo os formatos das nuvens antes da xícara de conhaque quente e dos bolinhos puta que pariu. O céu tem pedacinhos azuis, como rastros de esperança na humanidade e no poder calmante do copo de água com açúcar. Os livros se amontoam pela sala, gato gordo morde capas e come algumas páginas, a infância dentro de caixas, a tv eternamente desligada, o som do silêncio noturno no centro, as almofadas no chão. Abro portas sem parar, textos chegam, leio, corto, dou parabéns, penso em ficção, escrevo verdade, faço música e acho bonito. Quem sabe o que suporta qualquer como. Alguém disse isto e estava certo. E não brilharia estrela, ó bela, sem noite por detrás. Não? Hoje é quarta, é feira, tem peixe, flor e bergamtora. Portas abertas. Pode entrar.
Escrito por Cristiane Lisboa às 11h52
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Uma notícia boa que doeu de leve. Ao menos isto. Certas coisas precisam voltar a seus lugares, bem sei, bem rezo, bem quero. Mas não espero. Porque esperar é coisa que veio no meu DNA mas não cultivo. Sai do mar verde campo justamente porque não pretendia esperar. Nada. Nunca. Pouco adiantou fugir e andar em frente sem olhar para trás. Me vi no lugar das coisas rápidas esperando, mas era dezembro e decidi não, não espero, não mais. Pois a questão é a notícia dita sem querer e o frio no estômago e um possível sorriso. Que bom. Porque sim, é bom. Um cachorro preto pequeno choraminha ao telefone. Olhos azuis faz uma canção e não mostra. Pequeno Maçal, o homem que não tem pudor com o corpo humano massageia o peito e a dor é de faca. "Já disse para você não guardar as coisas aqui" ele resmunga por quase meia hora. Não respondo, choramingo como o cachorro preto e vou bem devagar até o prédio com as plantas mais feias do mundo. Ao menos as lágrimas são quentes.
Escrito por Cristiane Lisboa às 19h53
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Resolveu ela mesma comprar as flores. E foi. No caminho, percebeu andar sobre agosto. Na vida anterior a esta, aquela em que olhos ora escuros, ora claros derramavam gotas sobre ela, gostava de deixar a única janela do quarto aberta em noites de agosto. Nem tanto por amor ao frio, embora este fosse um fator. Ela deixava a janela aberta porque as noites de agosto exibem as maiores estrelas - fato não comprovado cientificamente mas que em nada muda esta, ou qualquer outra história – e porque o frio é gelado. Agosto. Noite. Grandes estrelas. Ela aproveitava esta conjunção anual para se aninhar no peito cujo coração tinha batidas apressadas e, tantas e tantas vezes a assustou, batendo mais fraco quando ela não dormia. Pequenos sustos não divididos. Ela o acordava menos do que ele sabia. Fato este que também não muda em nada, nada. Mas resolveu ela mesma comprar as flores. Encheu o braço esquerdo. Cravos brancos pintados de vermelho só nas pontas, como e tivessem sido feitos de papel crepom para alguma festa da terceira série b. Sorriu. Dizem. Caminhava sobre agosto, ainda não era noite mas seria. E tantas vezes ele teve certeza que havia dito: estou feliz porque é agosto, a janela está aberta, as estrelas muito grandes e este frio me dá vontade de nunca mais mudar a posição da minha cabeça e do teu peito. Não tem certeza que disse. Será que precisaria mesmo dizer? Não entendem as pessoas sozinhas certas coisas importantes como uma janela aberta para a noite gelada de agosto? Precisam mesmo as pessoas de explicações e seriam mesmo os relógios desejosos de ilusões de tempo? Ainda era muito dia, as horas passariam vagarosas a noite ia chegar e então seria aquilo de sempre: grandes estrelas, noite, agosto. E desta vez ela não estaria lá, estaria em um lugar errado. Não errado de todo, porém, não o lugar que fazia com que a conjunção anual tivesse sentido interno e externo. Porque logo mais seria isto e sentiria tudo, trocou os cravos por rosas bem amarelas. Deixaria no vaso em frente a janela que decididamente ficaria aberta durante a madrugada inteira. Nunca se sabe em que momento os milagres podem teimar em acontecer.
Escrito por Cristiane Lisboa às 09h54
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